13 de dezembro

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23/11/19 às 14h05 - Atualizado em 26/11/19 às 14h24

Moradores reformam parquinho pelo Adote Uma Praça

O espaço foi revitalizado graças à parceria entre comunidade e governo. Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília


O parquinho infantil da Superquadra Sul 313 está de cara nova. A areia branca, o alambrado recém-instalado e a estrutura de madeira plástica, resistente e sustentável, fazem parte do espaço revitalizado para a alegria das crianças. A mudança aconteceu graças à comunidade, que se uniu e integrou o programa Adote Uma Praça, que promove parcerias para manutenção e recuperação de espaços públicos da capital federal.

A parceria está em nome da arquiteta Juliana Abrahão, de 34 anos, mãe do Arthur, três anos e do Lucas, um. Ela assumiu o projeto e consta como titular da cooperação com a Administração Regional do Plano Piloto, mas a reforma contou com participação de toda comunidade, que arrecadou dinheiro e fez reuniões para definir o que seria feito. Na 313 não há prefeitura ou associação com pessoas jurídicas ativas, o que não impede adesão ao projeto.

Tudo começou quando a advogada Patrícia Araújo, 37 anos, engravidou do pequeno Lorenzo – hoje com um mês de vida – e percebeu que o parquinho da quadra não tinha condições seguras para crianças. “A madeira dos brinquedos estava apodrecendo e cheia de cupim, a cerca estava destruída, no chão, tinha ferro retorcido e com pontas expostas. Era perigoso mesmo”, lembra.

Em janeiro, ela instalou uma faixa pedindo ajuda para a reforma e logo recebeu mensagens de interessados: todos queriam uma solução para o problema. Com um representante de cada bloco, mais de R$ 20 mil foram arrecadados entre os moradores até meados de abril, com campanhas de “desenhaço” e “musicaço”. Para a intervenção, era necessária permissão do governo.

Na administração regional, a arquiteta Juliana Abrahão conheceu o programa, assinou a parceria, elaborou o projeto e conseguiu autorização para instalação. “O decreto do Adote Uma Praça tem uma série de exigências, então era preciso ter uma responsabilidade técnica, o que assumi”, conta.

Houve um estudo para seleção do material, que não solta farpas nem apodrece, para garantir durabilidade e segurança. O poder público arcou com a mão de obra para colocar o alambrado, limpou a área cortou a grama, realocou bancos e lixeiras, e levou areia branca para o espaço. “Essa parceria foi essencial porque não teríamos conseguido sozinhos”, revela a arquiteta.

Agora, as crianças podem aproveitar o espaço em segurança. Patrícia, que deu início ao projeto, diz que a atitude gerou bons frutos. “Até o senso de comunidade aflorou em todo mundo. Os vizinhos começaram a se conhecer. Os pequenos, então, têm como se divertir e ficar longe de tanta tecnologia”, destaca.

Juliana, por sua vez, é só orgulho. “Por mais que seja público, que venha gente de outros lugares, há sensação de pertencimento, para zelar e cuidar.  Dá muito trabalho, mas com certeza vale a pena. Foi tudo pelas crianças”, assegura.

A arquiteta Juliana e a advogada Patrícia comandaram a articulação da vizinhança. Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília


Pertencimento, cuidado e qualidade de vida 

Administradora Regional do Plano Piloto, Ilka Teodoro confirmou a má situação que estava o parquinho da 313 Sul. “Assim como outros espaços públicos, ele estava há muitos anos sem receber qualquer tipo de manutenção. Neste ano, começamos um trabalho do zero e estamos atuando para que seja melhorado. O Adote Uma Praça vem como mecanismo de recuperação com participação da comunidade”, diz.

Antes e depois do parquinho infantil na SQS 313. Arte: Equipe Digital do GDF


Para ela, a união de forças do governo com a sociedade garante que os equipamentos públicos sejam adotados, cuidados e efetivamente usados. “Sabemos, inclusive, que a ocupação está diretamente relacionada à questão de segurança”, observa. O órgão tem recebido moradores interessados em intervir em outras áreas.

Secretário de Projetos Especiais, Everardo Gueiros valoriza a parceria entre os moradores da quadra para melhorar a qualidade de vida. “O parquinho se tornou vetor de um congraçamento”, exalta.

Para ele, a ação parte do reconhecimento da dificuldade do Estado em conseguir fazer tudo. “Em vez de simplesmente olhar o governo executar, as pessoas entendem que a coisa pública é pública e permite que tomem posse, com sentimento de pertencimento, do que é da sociedade”.

“O projeto, quando concebido, tinha objetivo de desburocratizar o processo e dar segurança às pessoas. Como o instrumento é público, as pessoas ficam sem saber como fazer algo dentro da legalidade. Então, a regulamentação mais simples possível ajuda para que qualquer um possa aderir sem enfrentar problemas”, afirma Gueiros.

O Adote uma Praça

O programa é uma iniciativa do GDF criada para promover parcerias entre empresários e moradores, com vistas à manutenção e recuperação desses locais. Embora o nome Adote uma Praça, a ação contempla uma opção variada de logradouros, como jardins, estacionamentos, balões rodoviários, pontos turísticos, parques infantis e Pontos de Encontro Comunitário (PECs).

O Adote uma Praça foi oficializado por meio do Decreto 39.690, que regulamenta a Lei nº 448, de 19 de maio de 1993, referente à adoção de praças, jardins públicos e balões rodoviários, por entidades e empresas. Até agora, 30 logradouros públicos foram incluídos no programa, sendo que a metade já teve parcerias assinadas e a outra está em análise.

O programa permite que pessoas físicas e jurídicas firmem termo de cooperação para demonstrar que adotaram um espaço público e ajudem na manutenção de áreas verdes da capital. Um dos objetivos é estimular a cooperação entre governo e moradores das áreas próximas, assim como empresários de pequeno e médio porte, além de indústrias, ampliando a cidadania e preservação desses espaços.

Por: Jéssica Antunes da Agência Brasília
Fotos: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

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